
Esmir Filho, diretor de curtas-metragens premiados como Ímpar Par, Ato II Cena 5, Saliva e co-diretor do popular Tapa na Pantera (links para o Porta Curtas), agora se prepara para se aventurar no campo dos longas-metragens. Está prevista para 6 de novembro a estréia de seu primeiro longa de ficção, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, distribuído pela Warner. Antes do lançamento, o filme participará da competição do Festival Internacional de Locarno, na Suíça.
“Os Famosos e os Duendes da Morte” é baseado no livro homônimo de Ismael Caneppele e conta a história de uma cidade em que cada um sonha em segredo. O menino sem nome conhece a garota sem pernas, que lhe mostra um mundo no qual ele embarca como alguém que nunca mais deseja voltar à realidade. Para o menino, a vida virtual é a única verdade. Mas a garota parte para outro mundo, deixando imortalizada sua história em vídeos e fotos na web. A partida da única pessoa da cidade com quem ele se identifica deixa o menino ainda mais sozinho. Guiado pela música de Bob Dylan, ele mergulha em suas lembranças até que o surgimento de uma figura misteriosa desencadeia uma série de acontecimentos em sua vida até então previsível.
Em entrevista ao Cinecartógrafo, Esmir Filho falou de seu cinema, seus objetivos e detalhou o seu processo de trabalho. Confira a entrevista abaixo.
Conte como você começou a se interessar por cinema e, posteriormente, se interessar a fazer cinema.
Eu sempre me interessei por contos e ficções, desde criança. Acreditava que poderia criar um universo paralelo para dividir com as pessoas as coisas que eu pensava sobre o mundo ao redor. Ao perceber que transformando minhas palavras em imagens, eu dava um novo sentido para aquilo que eu queria expressar, me encantei com o poder da sugestão. Imagens são poderosas e podem dizer muitas coisas de forma poética e sugestiva. Entrei no mundo do cinema primeiro como espectador, durante a adolescência, onde ia até mesmo sozinho assistir às sessões. Então, fiz faculdade de cinema, onde pude realizar meus primeiros curtas e, assim, ingressar no mundo do cinema.
Como você conheceu o Rafael Gomes e como é trabalhar com ele até hoje?
Estudei com Rafael Gomes na mesma classe de cinema na FAAP. A parceria começou com curtas durante a faculdade e continuou até o “Tapa na Pantera”. Daí, seguimos carreiras paralelas. “Tudo o que é Sólido pode Derreter” era um projeto de série que tínhamos faz tempo e só agora tivemos a oportunidade de desenvolvê-lo. Foi muito bacana trabalharmos juntos de novo depois de alguns anos.
Você esperava o sucesso que “Tapa na Pantera” acabou fazendo na internet?
Nada foi esperado, mesmo porque nem fomos nós que postamos o vídeo na internet. Fizemos por brincadeira durante a faculdade, mas o vídeo explodiu mesmo em 2006 na rede, quase dois anos depois da realização do mesmo. Eu fiquei espantado com a velocidade com o qual o vídeo se propagou. Chamo-o de fenômeno cultural espontâneo. Desde de sua concepção até sua difusão, foi tudo realizado espontaneamente, sem maiores pretensões.
Há quanto tempo você tinha planos de dirigir seu primeiro longa-metragem? Como surgiu a idéia?
Meu primeiro longa sempre foi um sonho meu. Vejo como um momento de maturidade, onde pude dar seguimento a minha carreira no cinema, depois de diversas experiências com curtas-metragem. “Os Famosos e os Duendes da Morte” retrata a geração adolescente de hoje, que vive através dos pixels e discute o que é real e o que é virtual/imaginário. Ou o quão real é expor sua vida na internet e o quão imaginário é viver na realidade. Eu busquei retratar o conceito existencial da internet, de como ela transforma a vida dos jovens e ameniza a solidão que os acompanha.
É baseado no livro do gaúcho Ismael Caneppele, que conta o rito de passagem de um adolescente que vive invernos constantes em uma pequena cidade alemã do interior do Rio Grande do Sul e vê na internet sua janela para o mundo. Me encantei com a poesia e sensibilidade do autor e propus uma adaptação ao cinema. No fim, resultou em um belo diálogo entre filme e livro, que tornaram-se complementares. O próprio autor é um dos atores do filme. Só trabalhei com jovens da região como atores.
Quais as principais diferenças na dinâmica do trabalho que você sentiu ao dirigir um longa-metragem pela primeira vez, depois de trabalhar com curtas e, mais tarde, com televisão?
São tempos muito diferentes. Cinema você faz com calma, discute os conceitos, amadurece as idéias. Tem tempo para pensar em cada plano com cuidado. É uma obra de arte, feito um quadro. Com certeza, considero meu longa algo mais autoral. A tevê é mais rápida. A demanda é maior. Tem forte pressão de cronograma. Claro que conseguimos dedicar tempo também para discutir os conceitos, planos etc. Mais não se compara ao tempo do cinema.
Com o lançamento de “Os Famosos”, quais outros planos você tem para o futuro?
Continuar minha carreira no cinema. É apenas o primeiro longa de muitos que virão por aí.
Você acha que é fácil trabalhar com cinema no Brasil?
Não é fácil, assim como não é fácil nenhuma profissão. O que não quer dizer que seja impossível. Acho que o cinema brasileiro só vem crescendo em termos de mercado. Dificuldades sempre houveram e sempre haverão, o que torna a profissão emocionante.





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