A Semana em DVD – 11/11

il_semanaemdvd

The Spirit – O Filme
Houve bastante expectativa em torno deste novo trabalho de Frank Miller como diretor (antes havia feito o excelente “Sin City”). E são as expectativas as piores inimigas deste filme. “The Spirit – O Filme” conta a história de um policial que luta contra o crime, apesar de já estar morto. O rol de personagens é bem estranho, e as interpretações estão até que boas, mas fica aquela sensação de que falta alguma coisa. É mediano.

Milk
Dirigido por Gus Van Sant (“Gênio Indomável” e “Elefante”), este filme não é exatamente uma biografia de Harvey Milk, primeiro congressista americano assumidamente homossexual, mas sim uma crônica da luta pelos direitos dos gays nos EUA na década de 70. É um retrato necessário e, felizmente, competente. A interpretação de Sean Penn, que lhe rendeu um Oscar, é algo que vai marcar o espectador. Vale pelo assunto e pela qualidade.

Presságio
É melhor do que aparenta este suspense com cara de ruim, mas que acaba sendo mediano. Nicolas Cage é notoriamente um péssimo ator, mas aqui não derruba o filme. Ele é John Koestler, que investiga como uma garota em 1959 conseguiu prever todos os grandes desastres da história. Tem também uma mistura pouco frequente de terror com ficção científica. E o final pode confundir ou irritar bastante gente. Na dúvida, veja.

O Amante
A história é batida, mas algumas características do roteiro a inovam. Liam Neeson faz o protagonista, que suspeita que a mulher tenha se envolvido com um outro homem, feito por Antonio Banderas. A narrativa é não-linear, e às vezes fica difícil saber se o que estamos vendo é um flashback ou parte da realidade. Mas, ao final, tudo se esclarece. Vale mais pelo elenco, que reúne ainda Romola Garai e Laura Linney.

Watchmen: Contos do Cargueiro Negro
“Contos do Cargueiro Negro” é um gibi que um personagem do quadrinho “Watchmen” lê de tempos em tempos, e que acaba dando um tempo na história principal para chamar a atenção do leitor para outra: a de um capitão que perde toda a tripulação em uma tempestade e busca redenção. É bem pesada e depressiva, mas o estilo artístico da animação é muito interessante. Nos EUA, saiu uma versão de “Watchmen” com esta animação inserida no meio.

banner

Tokyo! (2008)

Seguindo a onda de filmes compostos por curtas-metragens sobre alguma determinada cidade (conforme já tivemos “Paris, Eu te Amo”, e futuramente teremos “New York, I Love You”), “Tokyo!” reúne três histórias dirigidas por Michel Gondry (de “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”), Leos Carax (de “Pola X”) e Joon-ho Bong (que fez “O Hospedeiro” recentemente) tendo a cidade de Tóquio como cenário. Diferente de outras coletâneas, porém, “Tokyo!” dá bastante espaço a seus filmes, são só três em 112 minutos, permitindo às histórias que se desenvolvam. Nem sempre isso ocorre no gênero, fazendo com quem grande parte dos curtas fique à margem do experimental, deixando o espectador sem entender nada do que se passou.

A primeira história, “Interior Design” é a única adaptada, veio dos quadrinhos. Mostra um casal à procura de um apartamento em Tóquio, enquanto vivem de favor na quitinete de uma amiga. O rapaz é cineasta, e a namorada se sente um pouco inútil perto dele. Quando achamos que a história é sobre os prédios de Tóquio, como as pessoas vivem, a namorada vai se transformando em uma cadeira. Gondry lida com o kafkaniano bem como sempre.

O curta de Leos Carax, “Merde”, é mais inusitado ainda. Trata de um homem louco que vive nos esgotos de Tóquio e, sempre que sai, causa terror às pessoas. Em sua última saída, dispara granadas pela rua, fazendo vários feridos. Ele é detido e condenado à morte. Mas as pessoas tentam compreender quem ele é, e o motivo pelo qual não consegue se comunicar.

A última história, “Shaking Tokyo” é, talvez, a mais radical. O protagonista sofre de alguma síndrome do pânico que o impede de sair de casa. Quando chama uma pizza, acontece um terremoto bem na hora em que olha nos olhos da entregadora, algo que não faz há dez anos. Ele fica fissurado por ela e tenta descobrir onde ela mora. Mesmo que, para vê-la novamente, tenha que sair de casa.

O resultado é, claro, irregular. Até dá para perceber uma preocupação de “Interior Design” em tratar de Tóquio como espaço físico. Há um momento em que a amiga do casal diz que o apartamento do japonês é inversamente proporcional ao tamanho da empresa onde trabalha. Quando passamos para a segunda história, Tóquio é apenas cenário, já que o louco do esgoto poderia atacar qualquer lugar (e, ao final, passa essa impressão). Poderia ser uma homenagem a Godzilla, mas faltam pistas maiores. Quando chegamos ao último, dá para perceber que a análise não é mais nem de Tóqui nem do japonês, mas do ser humano, mesmo.

Se “Tokyo!” for promover a si mesmo como um retrato da cidade, vai acabar desapontando. São apenas algumas histórias que, por acaso, acontecem em Tóquio. Nada mais. São interessantes, mas não para quem só está interessado em ver a cidade, seja por saudade ou curiosidade.

Tokyo! (2008), 112 min.
Direção: Michel Gondry, Leos Carax, Joon-ho Bong
Roteiro: Michel Gondry, Leos Carax, Joon-ho Bong
Com: Satoshi Tsumabuki, Ayako Fujitani, Ayumi Ito, Jean-François Balmer, Denis Lavant, Teruyuki Kagawa, Naoto Takenaka

Hoje é dia de cinema nacional no Cinemark

gr_Cinemark4g
A Rede Cinemark, em todo o Brasil, realiza hoje a 10ª edição do Projeta Brasil Cinemark, que traz para as salas da rede somente filmes nacionais, com ingressos a R$ 2,00. O objetivo é incentivar o consumo de cinema nacional pelo público. A renda arrecadada será revertida para projetos ligados à produção cinematográfica brasileira.

Confira abaixo os horários do Cinemark Praiamar, de Santos, para o 10º Projeta Brasil Cinemark:

Jean Charles – 11h10 – 14h40 – 18h20 – 21h50
Helena Meirelles – A Dama da Viola – 13h00 – 16h40 – 20h10
Verônica – 11h00 – 15h00 – 19h00
O Contador de Histórias – 12h55 – 16h50 – 21h00
O Menino da Porteira – 11h30 – 15h25 – 19h20
Surf Adventures 2 – 13h30 – 17h20 – 21h20
A Mulher Invisível – 10h30 – 12h40 – 14h50 – 17h00 – 19h10 – 21h30
A Mulher do Meu Amigo – 16h15 – 18h00 – 19h55 – 21h55
O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes – 10h50 – 12h30 – 14h20
Besouro – 10h40 – 12h25 – 14h15 – 16h10 – 18h10 – 20h20 – 22h20
Os Normais 2 – 10h35 – 12h10 – 13h50 – 15h30 – 17h10 – 18h50 – 20h30 – 22h10
Divã – 10h20 – 12h20 – 14h10 – 16h00 – 17h50 – 19h40 – 21h40
Salve Geral – 10h25 – 12h50 – 15h10 – 17h30 – 20h00 – 22h30
Se Eu Fosse Você 2 – 11h20 – 13h20 – 15h20 – 17h40 – 19h50 – 22h00

A programação só vale para o dia de hoje, 9 de novembro. O Cinemark Praiamar fica no Praiamar Shopping, na Rua Alexandre Martins, 80, segundo piso, em Santos.

Garota Infernal (Jennifer’s Body, 2009)

Apesar de não sair dos tabloides e sites de fofoca, Megan Fox ainda não havia conseguido um papel principal de destaque. Nos dois “Transformers”, série que a revelou, ela tinha um papel de coadjuvante. Aqui, em “Garota Infernal”, ela não é exatamente a protagonista, que isso fique claro. Mas é um passo à frente. A verdadeira personagem principal é Needy (Amanda Seyfried, de “Mamma Mia!” e da série “Big Love”), cuja melhor amiga, Jennifer (Megan) começa a se comportar de forma estranha depois que uma banda esquisita faz um show em sua pequena cidade e a leva para um lugar misterioso.

No caso, Jennifer se transforma em uma espécie de maníaca canibal. Continua sendo a mesma, mas precisa saciar essa fome de carne humana, do contrário, sente-se fraca e feia. Needy tenta compreender o que está acontecendo com a amiga, enquanto vários meninos do colégio começam a aparecer mortos com as tripas para fora.

A atuação de Megan Fox, francamente, não chegou a lugares que não conhecíamos de sua participação em “Transformers”. Em “Garota Infernal”, ela faz a típica garota bonitona e metida de colégio, mas, paradoxalmente, mantém uma forte amizade com uma garota nerd, Needy. Durante as filmagens, muito se falou sobre possíveis cenas de nudez de Megan, mas o que ocorre, na verdade, é só uma cena dela saindo de um lago, onde nada é mostrado. Os rapazes talvez gostem de uma cena lésbica envolvendo Megan colocada no meio da história.

“Garota Infernal” tem roteiro de Diablo Cody, que ganhou o Oscar por “Juno” e também é responsável pelo bom texto da série “United States of Tara”, produzida por Steven Spielberg. Ficam visíveis os traços de inovação que Cody trouxe ao gênero, mas não tão aparentes quanto nos outros dois trabalhos dela. Visto de longe, “Garota Infernal” é estruturado de forma igual a qualquer outro filme de terror que assistimos várias vezes a cada ano. O diferencial está nos detalhes, nos diálogos, na caracterização dos personagens e em algumas escolhas da história. Depois do final, não deixe o cinema durante os créditos, já que lá é que está a verdadeira cena final.

O que fica em “Garota Infernal” é um filme com bom humor e ciente de que não está reinventando a roda, mas apenas modificando-a um pouco. O forte não é Megan Fox, nem Amanda Seyfried, muito menos a direção, mas o roteiro. É bom para Diablo Cody que aqui ela tenha mostrado que também sabe fazer o básico, não se restringindo a inovações.

Garota Infernal (Jennifer’s Body, 2009), 102 min.
Direção: Karyn Kusama
Roteiro: Diablo Cody
Com: Megan Fox, Amanda Seyfried, Johnny Simmons, Adam Brody, Sal Cortez, Ryan Levine, Juan Riedinger, Colin Askey, Chris Pratt, J.K. Simons

(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer, 2009)

Quem for assistir a este filme esperando uma comédia romântica como estas que lotam os cinemas ano após ano, vai se decepcionar. Já quem está cansado da mesmice dessas comédias românticas que lotam os cinemas ano após ano, vai se surpreender. “(500) Dias com Ela” é um romance honesto, no sentido mais puro da palavra. Ele se posiciona na contramão de outros filmes e até músicas que idealizam um amor perfeito e inatingível. Isso somado a um elenco afiado e uma estrutura bem diferente faz de “(500) Dias com Ela” um dos melhores filmes do ano.

A narrativa é não-linear, e se utiliza dos números dos dias para posicionar o espectador no tempo. São os tais 500 dias do título, que envolvem todo o relacionamento de altos e baixos de Tom e Summer. Ele é vivido por Joseph Gordon-Levitt, que ficou conhecido ainda jovem na série “3rd Rock from the Sun” e em “10 Coisas que eu Odeio em Você”. E ela é Zooey Deschanel, que consegue dar mais humanidade para o personagem que parece interpretar em todos os filmes que faz. O destaque é a pequena Chloë Moretz, que esteve em “Horror em Amityville” e aqui faz a irmã de Tom que dá conselhos absurdamente inteligentes ao rapaz.

“(500) Dias com Ela” não é uma comédia romântica normal porque não tenta criar uma idéia falsa de um romance sem falhas. Logo de início, aliás, o espectador percebe que o relacionamento de Tom e Summer não está às mil maravilhas, graças aos pulos entre passado e futuro que a contagem dos 500 dias permite que a narrativa dê. Não dá para não se identificar com os conflitos dos personagens, esteja o espectador em casal ou sozinho.

Esta é a estréia em longas-metragens de um diretor de videoclipes chamado Marc Webb, com um roteiro supostamente baseado em dores do coração verdadeiras escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber, ambos principiantes, com apenas o roteiro de “A Pantera Cor-de-rosa 2″ no currículo. “(500) Dias com Ela” já nasceu um novo clássico, e sua honestidade tem tudo para fazer dele um marco no gênero, que está aos trancos e barrancos.

(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer, 2009), 95 min.
Direção: Marc Webb
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz, Matthew Gray, Gubler, Clark Gregg, Patricia Belcher, Rachel Boston

Quarentena (Quarantine, 2008)

“Quarentena” é um remake quase quadro a quadro, cena a cena, fala a fala de “[REC]“, uma verdadeira joia do gênero que apareceu no cinema, produção espanhola que usa o recurso de câmera única para colocar o espectador dentro de um prédio onde se dissemina um vírus que transforma as pessoas em zumbis. Existem remakes que mexem em alguma coisa, mudam personagens ou mesmo a própria história. Este aqui é quase uma cópia exata do original, com a diferença de elenco e idioma. Isso é bom? Claro que não. Ao mesmo tempo em que este remake fica acima da média de outros filmes de terror que existem por aí, nunca poderá substituir o original. E trocar um pelo outro porque “é a mesma coisa” é um verdadeiro crime.

Deixaram até o nome da protagonista igual, que denuncia a origem hispânica de “[REC"]. Angela Vidal agora é interpretada por Jennifer Carpenter, que os mais antenados devem conhecer da série “Dexter”, onde trabalha bem. Aqui, são mais gritos e gemidos, quando a coisa começa a ficar feia dentro do prédio, mas não se pede mais do que isso em filmes do gênero. E também não foge muito do que Manuela Velasco faz no anterior. O elenco de apoio toma conta de todos os principais personagens do original, sem omitir ou acrescentar ninguém.

“Quarentena” aparece para nos lembrar de que remakes de filmes que já são excelentes podem tentar, mas nunca serão algo de bom no cinema. Este aqui faz tudo direitinho, idêntico ao outro, mas e daí? O que o espectador ganha ao assisti-lo? Em países de língua inglesa, claro, há a conveniência de não precisar ler legendas, mas o brasileiro é acostumado com isso. Se é para ler legendas, que leia as do original.

Quarentena (Quarantine, 2008), 89 min.
Direção: John Erick Dowdle
Roteiro: John Erick Dowdle, Drew Dowdle (roteiro do remake), Jaume Balagueró, Luis Berdejo, Paco Plaza (roteiro do original)
Com: Jennifer Carpenter, Johnathon Schaech, Columbus Short, Marin Hinkle, Jay Hernandez, Rade Serbedzija

A Semana em DVD – 4/11

il_semanaemdvd

Duplicidade
Bom thriller corporativo, daqueles que, apesar de ter metragem longa, mil reviravoltas e jargões a todo o momento, acabam satisfazendo. A história é contada de forma não linear, com passado e presente se alternando. Ray (Clive Owen) e Claire (Julia Roberts), que trabalham em empresas rivais e disputam a patente de um produto misterioso. Tem bons momentos de humor, que mostram o quão ridículo pode ser o mundo corporativista.

Frost/Nixon
História da famosa entrevista que Richard Nixon deu a um repórter inexpressivo, David Frost, na qual falou pela primeira vez de forma aberta sobre o Caso Watergate. Vale pelas belas atuações de Frank Langella (Nixon) e Michael Sheen (Frost). Toda sua tensão se constrói em torno do embate verbal da entrevista, a qual os dois disputam como uma luta. Indicado a 5 Oscars (Filme, Direção, Ator, Roteiro e Montagem). Vale a pena.

Noivas em Guerra
Comedinha romântica bobinha, que não traz muita novidade ao gênero. Investe-se na química entre Anne Hathaway e Kate Hudson, que são amigas, mas, por conta de uma confusão na agência, acabam tendo seus casamentos marcados para o mesmo dia. Então, cria-se uma verdadeira guerra para conseguir o melhor lugar, mais amigos, a melhor banda, entre outros. Para quem quer ver Anne Hathaway em um bom papel, que a veja em O Casamento de Rachel.

Se Eu Fosse Você 2
Esta comédia quebrou todos os recordes de bilheteria da história do cinema brasileiro, mas não é grande coisa. É uma boa pedida para quem gostou do primeiro, já que repete a premissa e não acrescenta nada a ela. Dá para ver que, agora, os atores estão melhor preparados a interpretar o sexo oposto, principalmente Tony Ramos, a quem foi dado número maior de cenas. Dessa vez, o conflito se cria quando a filha do casal fica grávida.

Operação Valquíria
Só dá para aproveitar esse filme quando se percebe que não é lição de história, mas entretenimento. Trata de uma operação obscura que foi desenvolvida durante a Segunda Guerra para assassinar Hitler. Não ajuda o fato de qualquer pessoa saber como acaba essa história. Tom Cruise faz o coronel responsável pelo plano, mas o filme peca por velhos problemas como roteiro previsível, personagens pouco desenvolvidos e nazistas falando inglês.

banner

Assassination of a High School President (2009)

Esse filme faz parte de um gênero bem raro e específico: a união de “film noir” com o ambiente escolar. Por conta disso, é impossível evitar a comparação com outro exemplar dessa junção, “A Ponta de um Crime” (2005, com Joseph Gordon-Levitt), que, infelizmente para “Assassination of a High School President”, era bem melhor. Aqui, a transposição é bem de filmes como “Chinatown”, com ênfase no mistério policial em torno do roubo de algumas provas e a ligação disso com o presidente da classe. Quem investiga tudo é o repórter do jornal da escola, Bobby (Reece Thompson).

Quem entrar no jogo vai se divertir bastante. Mesmo para quem viu pouco ou nada de “film noir”, dá para se pegar várias referências, ou mesmo rir do quão ridículas são algumas sequências. Isso acontece graças ao elenco, que é contido, mas trabalha bem. Mischa Barton aparece como uma “femme fatale”, só que um tanto inexpressiva. O protagonista é feito por Reece Thompson, que nunca fez nada de notável antes. O melhor é Bruce Willis, como um diretor psicótico veterano de guerra, e um tal de John Magaro, que faz um dos amigos de Bobby, e um bem pirado.

Para quem nunca viu “A Ponta de um Crime”, este filme vai parecer uma maravilha. Já os outros irão sentir falta de alguma coisa. É verdade que, apesar de investirem na mesma dualidade, são dois filmes bem diferentes na abordagem, mas “Assassination of a High School President” parece investir bem mais em criar uma atmosfera genuína de “film noir” do que em progredir a sua história. A atmosfera já fica bem criada nos minutos iniciais, não há motivo para forçá-la tanto durante todo o filme. Mesmo assim, destaca-se como algo bem melhor do que é feito em cinema policial por aí.

Assassination of a High School President (2009), 93 min.
Direção: Brett Simon
Roteiro: Tim Calpin, Kevin Jakubowski
Com: Reece Thompson, Mischa Barton, Bruce Willis, Kathryn Morris, John Magaro, Josh Pais, John Farrer

Duplicidade (Duplicity, 2009)

“Duplicidade” é um bom thriller corporativo, daqueles que, apesar de ter metragem longa, mil reviravoltas e jargões a todo o momento, acabam satisfazendo. É claro que, aqui, o filme é ajudado em grau altíssimo pelo elenco classe A, que inclui Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson e Paul Giamatti. É o novo filme de Tony Gilroy, que fez sucesso no Oscar de 2008 com “Conduta de Risco”. Pessoalmente, gostei mais de “Duplicidade”, nem tanto pela história, mas pela forma com que os personagens envolvem o espectador.

Primeiro, a história é contada de forma não linear, com passado e presente se alternando. Ray (Owen) e Claire (Julia) se conhecem de uma forma inusitada, cinco anos antes, em Dubai: vão para a cama e, na manhã seguinte, ele descobre que ela era uma espiã que o drogou e vasculhou suas coisas, em busca de alguns planos de defesa. No presente, estão trabalhando para empresas rivais, durante um período turbulento. Parece que uma delas está próxima de adquirir um produto que irá revolucionar o mercado. A outra, por sua vez, investe pesado em interceptar esse produto, ainda sem patente, e registrá-lo para si.

É claro que essa sinopse é apenas inicial, já que logo na primeira meia-hora de filme o jogo muda, as condições se tornam outras, assim como o público fica sabendo mais sobre o estranho relacionamento de Ray e Claire. A química de Clive Owen e Julia Roberts não é lá estas coisas, mas os dois trabalham muito bem quando separados. Toda vez que Tom Wilkinson aparece, conforme de costume, acaba roubando a cena, assim como Paul Giamatti. Estes dois últimos são os chefes das empresas rivais, e fazem retratos impagáveis de verdadeiros chefes de Estado sob pressão.

O tom é de sátira. Se “Queime Depois de Ler” não apelou para um grande público, pode ser que este consiga. A ênfase, claro, não é exatamente em piadas, mas em pintar situações ridículas para quem está do lado de fora deste mundo-cão corporativista. A reviravolta final, enquanto pode ser mal absorvida por alguns, também representa a cereja no bolo dessa grande maluquice. Às vezes “Duplicidade” é cansativo, mas logo surgem bons momentos que fazem o público perdoá-lo. Vale a pena.

Duplicidade (Duplicity, 2009), 125 min.
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy
Com: Clive Owen, Paul Giamatti, Julia Roberts, Tom Wilkinson, Dan Daily, Lisa Roberts Gillan, David Shumbris

Aquiles e a Tartaruga (Akiresu to kame/Achilles and the Tortoise, 2008)

Esta é a última parte da trilogia do cineasta japonês Takeshi Kitano sobre a arte, por mais que os dois primeiros (“Takeshis’” e “Glória ao Cineasta”) mais parecessem ser sobre ele próprio. “Aquiles e a Tartaruga” também tem um estilo mais tradicional, com poucas referências ou piadas internas, e serve até como um filme isolado, que pode ser assistido mesmo sem que os outros dois tenham sido vistos. É uma história que coloca em discussão o valor e o intuito da arte e dos artistas.

“Aquiles e a Tartaruga” acompanha o protagonista por toda a vida, começando pelo tempo em que era criança. O pai se suicida após a falência de seu banco, mas tudo que povoa a cabeça do pequeno Machisu Kuramochi é pintar. Com o passar dos anos, tenta diversos estilos artísticos, chega a estudar arte, casa-se e, cada vez mais, comete loucuras para chegar à perfeição artística. O diretor só aparece como ator na parte final, no papel de Machisu na meia-idade.

O título vem de uma anedota matemática, que é explicada logo no início do filme. Faz referência à busca por algo inatingível, tal qual a perfeição artística que Machusu persegue por toda a sua vida. Com esta mensagem, “Aquiles e a Tartaruga” não só fecha a trilogia de Kitano como também aparece como um dos mais realistas filmes sobre arte e artistas. Enquanto outros trabalhos focam-se em retratar pessoas com incontestável talento, “Aquiles e a Tartaruga” traz como protagonista um artista que até possui jeito para a coisa, mas ainda não definiu o que o mundo quer dele.

Fica difícil saber o que Takeshi Kitano vai aprontar em seguida, já que parece quase impossível que retorne ao seu estilo cinematográfico anterior, com filmes de ação e de gangster. “Aquiles e a Tartaruga”, assim como “Takeshis’” e “Glória ao Cineasta” compõem um retrato favorável do cinema japonês contemporâneo.

Aquiles e a Tartaruga (Akiresu to kame/Achilles and the Tortoise, 2008), 119 min.
Direção: Takeshi Kitano
Roteiro: Takeshi Kitano
Com: Takeshi Kitano, Kanako Higuchi, Kumiko Asô, Aya Enjôji, Masatô Ibu, Taigi Kobayashi, Reikô Yoshioka, Yûrei Yanagi

Próxima Página »


Quem é

Ricardo Prado
Notícias, resenhas, análises e o que der na telha, sempre relacionado à sétima arte: o cinema. O verdadeiro cinema não é só filme cult nem comercial, mas a saudável união de tudo. O que ver? Por que ver? Por que não ver? O Cinecartógrafo busca elaborar um mapa compreensível do cinema.

Estreias

(500) Dias Com Ela
Stella
Código de Conduta
Fama
Jogos Mortais VI
Os Fantasmas de Scrooge
Garota Infernal
Fados
Hotel Atlântico (pré-estreia)

Em cartaz

This is It
Anticristo
Alô, Alô Terezinha
Matadores de Vampiras Lésbicas
Terror na Antártida
Substitutos
Te Amarei Para Sempre
Jogando com Prazer
Bastardos Inglórios
Salve Geral
Tá Chovendo Hamburguer

Histórico

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Out    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Arquivo

Newsletter

Para receber semanalmente um boletim informativo com tudo de melhor que aconteceu no Cinecartógrafo e no cinema como um todo, clique aqui.

Twitter Orkut Facebook