Plastic City – Cidade de Plástico (Dangkou/Plastic City, 2008)

“Plastic City – Cidade de Plástico” surge com uma proposta interessante, mas tropeça em seus próprios passos e cai de boca no chão. Essa imagem mais do que descreve o que acontece, e nem se trata de expectativas altas ou algo do tipo. “Plastic City – Cidade de Plástico” é uma coprodução do Brasil com China, Hong Kong e Japão, e tem a proposta de mostrar o submundo da pirataria em São Paulo, partindo do bairro da Liberdade. Só que o filme permanece uma confusão constante, tanto no enredo como no estilo. Ao final, o espectador nem sabe mais o que está vendo.

Há carência de filmes que tratam das gangues da pirataria, e um filme que reúne elenco brasileiro com internacional, com cenas gravadas em São Paulo, e fotografia inventiva, sempre é interessante. Só que “Plastic City – Cidade de Plástico” pega essas qualidades e as transforma em problemas. Não muito os atores, o elenco não tem muito que fazer porque o roteiro não permite. Só incomoda um pouco o fato de algumas falas serem dubladas, talvez porque o ator estrangeiro não tenha conseguido falar bem o português. Mas há diálogos em chinês e japonês, também. A fotografia, se deixasse de ser hiperativa ao longo do filme, também seria um ponto positivo. A história é confusa, o espectador que não tiver bola de cristal para adivinhar do que os personagens estão falando ou fazendo vai ficar para trás.

Dirigido por Nelson Yu Lik-wai, que tem carreira como diretor de fotografia, “Plastic City – Cidade de Plástico” é um erro, por mais que as intenções, claras, sejam boas. Tem boas sequencias que, isoladamente, mostram inovação. Quando misturadas, não tem como não restar bagunça.

Plastic City – Cidade de Plástico (Dangkou/Plastic City, 2008), 118 min.
Direção: Nelson Yu Lik-wai
Roteiro: Nelson Yu Lik-wai, Fernando Bonassi, Fendou Liu
Com: Anthony Wong Chau-Sang, Jô Odagiri, Jeff Chen, Milhem Cortaz, Antônio Petrin, Tainá Müller

Mary & Max (Mary and Max, 2009)

O melhor de estarmos vivendo uma época excelente para animações é que bons exemplos aparecem em um número muito bom. No mesmo ano em que tivemos “Coraline e o Mundo Secreto”, que já era bom, também contamos com um trabalho menos divulgado: “Mary & Max”. Animação feita à moda antiga, com massinha em stopmotion, o filme é de uma sensibilidade notável. Não é para crianças, já que lida com temas como solidão, depressão, ansiedade e até suicídio. Os adultos que derem uma chance a “Mary & Max” não irão se arrepender.

O filme conta a história de duas pessoas que, de forma improvável, passam a se corresponder por cartas ao longo de vários anos. “Mary & Max” começa em 1976 e vai até 1994. Mary Daisy Dinkle (voz de Bethany Whitmore quando jovem, e Toni Collette quando mais velha) tem oito anos e descobre o endereço de Max Jerry Horovitz (Philip Seymour Hoffman) folheando uma lista telefônica. Ela mora na Austrália e ele, em Nova York. Apesar de terem idades diferentes, os dois passam por problemas semelhantes, são incompreendidos pelo resto do mundo, solitários e, claro, são fãs do desenho animado “Os Noblets”.

Mas o melhor de “Mary & Max” é a atenção aos detalhes, tanto nos cenários e personagens como na história. Todo o filme gira em torno das cartas trocadas entre os dois protagonistas que, tão particulares que são, também tem um jeito único de perceber a realidade. Esse universo é facilmente construído com a ajuda de uma narração que lembra a de um conto de fadas, feita por Barry Humphries. A trilha sonora, toda feita por orquestra, só ajuda a fazer de “Mary & Max” um novo clássico.

O diretor é Adam Elliot, que já ganhou o Oscar de Melhor Curta-metragem Animado em 2003 por “Harvie Krumpet”. “Mary & Max” é seu primeiro longa-metragem, e faço votos de que receba o reconhecimento que merece. Tranqueiras como as quais vemos semanalmente estreando nos cinemas passam batido, mas joias como “Mary & Max” já vêm eternizadas.

Mary & Max (Mary and Max, 2009), 80 min.
Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Com: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries, Bethany Whitmore, Renée Geyer, Ian ‘Molly’ Meldrum (vozes)

O Solista (The Soloist, 2009)

Jamie Foxx pode ter sido destaque em “Ray”, mas, aqui, é Robert Downey Jr. quem dá um show, e mostra que o clamor que recebeu pelo trabalho em “Homem de Ferro” não foi sorte, nem algo do tipo. Em “O Solista”, Downey Jr. interpreta, aliás, o autor do livro que deu origem ao filme, Steve Lopez, que escreveu sobre Nathaniel Ayers, um morador de rua com talento ímpar para o violino e violoncelo, mas que sofre de esquizofrenia. É Foxx quem encarna o tal sem-teto, e o faz muito bem também, mas não tem tanto tempo em cena quanto Downey Jr. No fim, acaba sendo uma história sobre a relação entre os dois, e não necessariamente sobre o talento de Foxx.

Gostei especialmente da estrutura, que vai se modificando a cada acontecimento novo na narrativa. Primeiro, já se estabelece a dinâmica entre Lopez e Nathaniel. Enquanto Lopez é um poço de lucidez e pessimismo, Nathaniel é sensível, por mais que tenha as ideias um pouco atrapalhadas em sua cabeça pelas vozes que escuta. Ao mesmo tempo em que elabora um perfil sobre Nathaniel, Lopez também tenta ajudá-lo, primeiro conseguindo um violoncelo para ele, e depois, abrigo. Aí, o filme se preocupa em caracterizar a face do morador de rua de Los Angeles. Enquanto isso, vemos flashbacks da infância e juventude de Nathaniel, ainda enquanto descobria a música.

“O Solista” surge como uma biografia de um personagem real, o que deve trazer certa satisfação ao público, por ser uma história de superação. Para continuarmos em frente, histórias assim são necessárias. Com esse filme, o diretor Joe Wright largou os filmes de época, já que antes fez “Desejo e Reparação” e “Orgulho e Preconceito”, mas não abriu mão da sensibilidade. Alguém aqui vai emocionar o espectador: seja Lopez, ou Nathaniel.

O Solista (The Soloist, 2009), 117 min.
Direção: Joe Wright
Roteiro: Susannah Grant (roteiro), Steve Lopez (livro)
Com: Jamie Foxx, Robert Downey Jr., Catherine Keener, Rachael Harri, Lisa Gay Hamilton, Tom Hollander, Nelsan Ellis

A Semana em DVD – 25/11

c181451408
A história de terror é baseada em um conto de Stephen King. Para quem gosta do trabalho dele, é uma boa pedida. Já para quem, como eu, acredita que ele é capaz de arruinar todas as histórias que começa bem, afaste-se, pois este só confirma a tese John Cusack é um autor especializado em resenhar hotéis supostamente assombrados. Ele acaba sendo direcionado para o quarto número 1408 de um hotel em Nova York, onde coisas bem estranhas vão acontecer.
Widescreen; áudio em Dolby Digital 5.1

c18145Coração de Tinta
Acabei não embarcando na história deste filme, que, francamente, chove no molhado. Hoje temos diversas adaptações de fantasia, e quando surge uma como esta, que não introduz nenhum elemento novo ao gênero, é difícil se envolver. Brendan Fraser é um homem com o poder de dar vida às histórias que lê. Assim, a história é ambientada em um mundo que mistura personagens reais e literários. Vale pelo bom trabalho da pequena Eliza Bennet, que é mais protagonista do que Fraser.
Widescreen; áudio em Dolby Digital 5.1

c18145Eu te Amo, Cara
É um dos primeiros “bromances” a ganhar destaque. Basicamente, foca-se na busca por um relacionamento de amizade entre dois homens, Peter (Paul Rudd) e Sydney (Jason Segel, de “How I Met Your Mother”). O primeiro está prestes a se casar, quando descobre que não tem um amigo próximo para ser seu padrinho. Percebe que só tem amigas mulheres. Peter, então, sai a busca de um amigo, e acaba trombando com Sydney, um verdadeiro fracassado. O interessante é que o filme é construído como uma comédia romântica, com todas as manobras de roteiro conhecidas do gênero, com a diferença de ser entre dois homens que buscam não o amor, mas uma amizade verdadeira. Vale por essa pequena inovação.
Widescreen; áudio em Dolby Digital 5.1

c18145O Casamento de Rachel
Certamente um dos melhores filmes do ano, e, de longe, a melhor performance de Anne Hathaway no cinema. Enfim ela deixou de se dedicar àquelas comédias românticas bobinhas e se envolveu em um projeto sério, autoral e totalmente dependente de seu trabalho de atuação. Hathaway é Kim, que volta para casa de uma clínia de reabilitação bem no dia do casamento da irmã, Rachel. O filme gira em torno do estranhamento por parte da família e da filha, cujos problemas são bem conhecidos. As situações são assombrosamente bem arquitetadas, chegando até a enganar alguns passando-se por um documentário. Merecidamente, rendeu a Hathaway indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 2009, mas perdeu para Kate Winslet, de “O Leitor”.
Widescreen; áudio em Dolby Digital 5.1

c18145A Duquesa
Filme bem linear e simples, por mais que as locações e figurinos sejam bem o oposto disso. É mais um drama de época inglês, com mulheres de cabelos bem altos e homens cheios de formalidades. O diferencial, aqui, é a figura da duquesa, Georgiana Spencer, que fica famosa ao se casar com o Duque de Devonshire. A partir dessa fama instantânea, ela começa a se envolver em áreas até então não frequentadas por mulheres, como conversas e comícios políticos. É uma clara alusão à descendente dela, a Princesa Diana. Se “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola, mostrou uma proto-Paris Hilton, aqui temos uma proto-Diana.
Widescreen; áudio em Dolby Digital 5.1

2012 (2009)

Este é mais um filme de desastre como qualquer outro e fundamentado nos mesmos clichês, com a diferença de ter contado com uma boa campanha de marketing e um certo oportunismo, já que muito se fala em previsões sobre o ano de 2012, previsto pelos maias como o fim dos tempos. Tanto faz, já que um filme destes, dirigido por Roland Emmerich (“10.000 AC” e “O Dia Depois de Amanhã”) não é para se refletir. As toneladas de efeitos especiais estão lá, assim como os diálogos risíveis e as manobras de roteiro usadas desde o início do cinema de blockbusters.

A história começa em 2009, quando um geólogo descobre que a temperatura do centro da Terra está aumentando, por conta de um efeito de micro-ondas provocado pelo Sol. Logo, o chão começa a se romper, cidades são destruídas e a humanidade se vê sem ter para onde fugir. Ao mesmo tempo, o filme se foca nas manobras políticas dos governos e as peripécias da família de Jackson Curtis (John Cusack), que é separado da mulher. Este último pedaço pareceu um tanto perdido, e é mesmo. Chega a ser cômica a forma com que Curtis e a família se envolvem em discussões e problemas típicos de filmes familiares, colocando o iminente fim do mundo em segundo plano.

John Cusack, que anda bem prolífico ultimamente, consegue conduzir a história de seu personagem muito bem, por mais que ainda sobre a dúvida se é protagonista do filme ou não. O elenco traz algumas caras conhecidas como a bonitinha Amanda Peet, dando uma pausa nas comédias românticas, Chiwetel Ejiofor, que fez “Cinturão Vermelho”, e Danny Glover, como o presidente norte-americano. Foi louvável a decisão de terem personagens estrangeiros falando o próprio idioma, em vez do inglês com sotaque, manobra ridícula de Hollywood que foi estranhamente abolida neste blockbuster.

A longa metragem de “2012″, com cerca de duas horas e vinte de duração, pode até afastar algumas pessoas, mas quando o filme começa, pouco se percebe o tempo passando. Exceto, claro, se o espectador já estiver frustrado com a previsibilidade do roteiro e dos truques batidos da direção para aguentar mais um minuto dentro da sala de cinema. É uma boa pedida para aquela hora de desligar o cérebro; para quem marca hora para isto, claro.

2012 (2009), 158 min.
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Com: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Thandie Newton, Oliver Platt, Amanda Peet, Tom McCarthy, Chin Han, Woody Harrelson

Apresentação de documentário é cancelada


A apresentação do documentário “Maurice Legeard: O Médico e o Monstro” foi cancelada por motivo de indisponibilidade de um dos membros da banca examinadora da Universidade Santa Cecília. Uma nova data será marcada, e o leitor do Cinecartógrafo será informado por meio do blog. “Maurice Legeard: O Médico e o Monstro” é o Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo do editor do Cinecartógrafo, Ricardo Prado, e Thyrslian Winnie.

A produção do documentário pede desculpas pelos transtornos causados pelo cancelamento.

A Saga Crepúsculo: Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009)

Nem sei por que estou escrevendo sobre este filme, já que não importa o que seja dito sobre ele, será um sucesso de bilheteria, terá salas lotadas de adolescentes histéricas e certamente ficará em cartaz por bastante tempo. E é bom eu tomar cuidado, já que as mesmas fãs ardilosas que lotarão as salas estão à espreita, prontas para desconsiderar e estraçalhar qualquer crítica desfavorável a “Lua Nova”, além de xingar o crítico, mandá-lo ler o livro, coisa e tal.

Lançado com o desnecessariamente longo nome de “A Saga Crepúsculo: Lua Nova” (o original também, como “The Twilight Saga: New Moon”), este segundo capítulo da série introduz novos elementos ao universo de personagens criado pela escritora Stephenie Meyer, mas é bem menos interessante que o primeiro. Aqui, Edward (Robert Pattinson) acha melhor terminar o relacionamento com Bella (Kristen Stewart) depois que um acidente quase faz um parente dele querer matá-la. Nesse período de depressão amorosa, ela se aproxima do amigo Jacob (Taylor Lautner), que logo se revela um lobisomem.

Alguns problemas são herdados de “Crepúsculo”, como a protagonista fraca: Kristen Stewart esteve ótima em diversos outros filmes, mas nunca como atriz principal. Robert Pattinson aparece pouco, mas faz tudo direitinho. Quem pode incomodar é Taylor Lautner, só que aos rapazes, já que o ator aparece sem camisa em todas as cenas. Mas estes não podem reclamar. A saga claramente é endereçada às mulheres, de todas as idades, dada a ênfase nas formas físicas de Edward, Jacob e praticamente todos os outros personagens masculinos, além do romance fundamentado em frases de efeito. Aliás, o roteiro investe bastante em emoções intensas, além de insistir em verbalizar todas. Diversos diálogos desnecessários aparecem só para que ninguém se perca na trama.

Era inevitável que “Lua Nova” existisse, dado o sucesso e o hype de “Crespúsculo”, além das hordas de fãs que criou. Não é um bom filme, mas muitas de suas falhas já vêm da série de livros que lhe deu origem, claramente escrita para ser rapidamente absorvida e, claro, quebrar recordes de vendas. Que os apreciadores de bom cinema não se alarmem, porém. O tempo colocará a saga “Crepúsculo” em seu lugar.

A Saga Crepúsculo: Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009), 130 min.
Direção: Chris Weitz
Roteiro: Melissa Rosenberg (roteiro), Stephenie Meyer (livro)
Com: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Michael Sheen, Ashley Greene

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007)

“Atividade Paranormal” é um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, e facilmente o mais assustador do ano. É claro que a grande vantagem do filme é situar-se em um gênero quase falido, recheado de subprodutos anualmente, com raríssimas exceções, que é o do suspense. Felizmente, “Atividade Paranormal” é uma destas exceções.

A premissa se inspira nas táticas de “A Bruxa de Blair”, em investir em uma aura de documentário, para dar mais medo no espectador, que imagina estar assistindo a algo verdadeiro. Pouco importa. “Atividade Paranormal” se apresenta como um material compilado da câmera de vídeo usada por um casal de namorados, Micah e Katie, para documentar as estranhas ocorrências da casa durante a noite. São coisas como passos, vozes, luzes piscando e portas se mexendo. No início do filme, surgem algumas palavras de agradecimento ao casal por ter cedido as imagens, contribuindo para que o espectador acredite que tudo o que é retratado no filme é real. Ajuda bastante nisso o fato de os atores terem os mesmos nomes que seus personagens.

Um bom filme de suspense não precisa ser inspirado ou mesmo reproduzir fatos verdadeiros, mas sim criar tensão e mantê-la por bastante tempo. E “Atividade Paranormal” o faz com muita competência. O espectador fica atordoado durante as cenas da madrugada, onde um movimento mínimo no cenário já é o suficiente para assustar. Conforme o filme vai progredindo, também vai o contato do casal com a entidade que toma conta da casa.

“Atividade Paranormal” deixará insatisfeitos aqueles que confundem suspense com terror e buscam sangue, tripas para fora e zumbis gritando. Mas, certamente, matará todos de medo; por mais que, ao final, digam que o filme foi chato e que nada acontecia. É bom que, em um gênero em crise como o do suspense, “Atividade Paranormal” apareça como uma joia rara. Não deixe de ver.

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007), 86 min.
Direção: Oren Peli
Roteiro: Oren Peli
Com: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Amber Armstrong, Ashley Palmer

Maradona por Kusturica (Maradona by Kusturica, 2008)

Para quem não se incomoda com excesso de egos na tela do cinema, e também se interessa pela carreira do ex-jogador argentino Diego Maradona, “Maradona por Kusturica” pode até ser um bom programa. O cineasta bósnio Emir Kusturica prova que não há limites para o egocentrismo e não só faz questão de fazer Maradona dividir o título do filme com o nome dele, mas também enche o documentário de cenas dos próprios filmes dele, que supostamente ilustram alguma ideia ou situação. Ao final, sabe-se tanto sobre Maradona o quanto já se sabia, e gosta-se bem menos de Kusturica do que se gostava antes.

Por outro lado, “Maradona por Kusturica” acerta em trazer para a mesa de discussões outros assuntos além do esporte, como a política. Maradona fala de Chavez, Fidel Castro, Bush e, claro, de Ernesto Che Guevara. Se o que ele diz é relevante, aí é outra questão. Além das cenas dos filmes do próprio Kusturica (“Dolly Bell”, “O Ano em Que Papai Viajou a Negócios” e “Gato Branco, Gato Negro” são alguns dos que aparecem), “Maradona por Kusturica” também tem alguns curtos segmentos em animação, mostrando Maradona “driblando” personalidades da história da Inglaterra, como a Rainha Elizabeth e Tony Blair, uma alfinetada à vitória da Argentina em cima do país na Copa do Mundo de 1986, na partida em que o jogador argentino marcou aquele que seria chamado de “O Gol do Século” pela FIFA.

Não vá assistir a “Maradona por Kusturica” esperando um retrato definitivo sobre uma das personalidades mais importantes do último século, porque passa longe disso. Seja lá o que motivou Kusturica a se colocar tanto no projeto certamente não foi o desejo de criar um retrato definitivo da pessoa de Maradona.

Maradona por Kusturica (Maradona by Kusturica, 2008), 90 min.
Direção: Emir Kusturica
Roteiro: Emir Kusturica

Coração de Tinta (Inkheart, 2008)

Acabei não embarcando na história de “Coração de Tinta”, mas os problemas não são tantos. É verdade que Brendan Fraser permaneça com a mesma expressão durante todo o filme, mas ele nem tem muito destaque, diferente do que iria se esperar. Ele é Mortimer Folchart, ou “língua de prata”. Basicamente, quando ele lê uma história, ela cria vida, os personagens passam para o nosso mundo e pode ser que alguém daqui vá para lá. É o que aconteceu com a mulher dele, que ficou presa em um livro chamado “Coração de Tinta”. Então, ele vaga o mundo com a filha, que não faz ideia do poder dele, em busca do tal livro. Só que ele acaba se tornando refém dos vilões da história, e se envolvendo com outros personagens de outras histórias.

“Coração de Tinta” não é ruim, mas chove no molhado. Hoje, temos uma overdose de adaptações de fantasia, e todas acabam parecendo demais umas com as outras. Não houve aqui um trabalho de diferenciação, o que é muito importante. A menina que divide a tela com Fraser, a jovem Eliza Bennet, tem pouquíssimos trabalhos no currículo, mas faz tudo direitinho, por mais que de forma pouco memorável. Aliás, “Coração de Tinta” como um todo é pouco memorável, já que nada oferece de diferente que tantas outras fantasias adaptadas ao cinema. Como todas as outras, têm outros livros em sua coleção, e já há planos de se adaptar os próximos.

“Coração de Tinta” é mais do mesmo. Se você gosta desse gênero, não perca tempo e assista. Não espere revolução em aspecto algum, já que o tom dominante aqui é o da repetição, seja de ideias de outras histórias de fantasia ou de outros filmes de aventura.

Coração de Tinta (Inkheart, 2008), 106 min.
Direção: Iain Softley
Roteiro: David Lindsay-Abaire (roteiro), Cornelia Funke (livro)
Com: Brendan Fraser, Andy Serkis, Helen Mirren, Paul Bettany, Eliza Bennet

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Quem é

Ricardo Prado
Notícias, resenhas, análises e o que der na telha, sempre relacionado à sétima arte: o cinema. O verdadeiro cinema não é só filme cult nem comercial, mas a saudável união de tudo. O que ver? Por que ver? Por que não ver? O Cinecartógrafo busca elaborar um mapa compreensível do cinema.

Estreias (Santos/SP)

Planeta 51
A Trilha
O Solista
Entre a Luz e a Sombra
Gigante
Atividade Paranormal (pré-estreia)

Em cartaz

Lua Nova
2012
Novidades no Amor
(500) Dias Com Ela
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Os Fantasmas de Scrooge

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